MetaReciclando as cidades digitais

Enviado por efeefe, sab, 08/28/2010 - 19:43

Participei recentemente de um seminário sobre Cidades Digitais, organizado pela Unesp de Araraquara e realizado no SESC daquela cidade. Foi uma boa oportunidade para aprofundar algumas reflexões que já andei esboçando nos últimos tempos. Minha apresentação transformou-se no texto abaixo. A primeira parte não tem muita novidade, mas pode ser interessante pra quem está conhecendo a MetaReciclagem agora. Os slides da apresentação estão disponíveis no scribd.

Esse post faz parte da blogagem coletiva de inverno do Mutgamb, inspirado por Pozimi.

MetaReciclagem (de novo)

Nos próximos meses, a rede MetaReciclagem completa oito anos de um diálogo aberto e colaborativo sobre a apropriação de tecnologias. Insistimos em não aceitar as caixinhas temáticas em que muitas vezes tentam nos enquadrar - associando as práticas da rede ao mero reuso de computadores com a instalação de software livre e montagem de espaços de acesso livre à internet. Por certo que isso constitui uma das bases comuns da rede, que assumiu mesmo ao longo do tempo um caráter ritual, de replicação de metodologias que constroem identidade. Mas nossos horizontes são mais amplos, tratando a desconstrução de tecnologias como um universo abrangente - que inclui computadores e dispositivos enredados, mas também a construção de habitações, a culinária, a tecnologia aplicadas ao meio ambiente, assim como os meios de comunicação, as linguagens artísticas, as formas coletivas de organização e existência. Tratando como tecnologia qualquer ação ou objeto que embuta um propósito a partir de algum método.

O aspecto da desconstrução merece um pouco mais de atenção. O que importa aqui não é tanto seu aspecto objetivo, mas sim o processual - não o ponto a que a desconstrução leva, mas o caminho que percorre. É o proverbial "abrir a caixa preta", questionando cada faceta daquilo que nos é apresentado. A abertura supõe antes de mais nada uma sensibilidade do gesto de abrir, uma habilidade relacionada à percepção daquilo que pode ser aberto. Mesmo tratando-se de caixas pretas simbólicas, buscamos processos evolutivos - como o monolito de 2001 - cuja mera existência, em tese, teria provocado a curiosidade que nos diferenciou das bestas. É essa curiosidade, que traz o potencial criativo a cada momento, que emerge como traço comum a todos os bandos metarecicleiros. Uma criatividade não mais separada da experiência cotidiana, mas harmonizada com todos os aspectos da vida.

Complementar à gestualidade da abertura é a defesa da livre circulação de informação e conhecimento: as ações de MetaReciclagem usam software livre, buscam caminhos para o desenvolvimento de hardware aberto, promovem o espectro eletromagnético aberto, publicam conteúdo com licenças livres, e assim por diante. A rede em si funciona não somente como virtualização das relações, mas como espaço socialmente construído, que estende o potencial das ações locais - em escala proporcional à quantidade de informação que os atores locais publicam e à diversidade dos integrantes da própria rede.

Sempre esteve presente na MetaReciclagem a certeza de que é difícil estabelecer limites precisos entre o que é online e offline. Essa visão se reflete nas múltiplas identidades que ela assume - compreendendo simultaneamente o relacionamento com comunidades a partir de ações ultralocais e a mais profunda sensação de socialização remota. Isso possibilita um nível elevado de produção colaborativa e enredada: ideias e projetos desenvolvidos através da rede, que podem ser rapidamente replicados em qualquer lugar.

Cidades Digitais

De certa forma, articular a perspectiva da cidade traz para as redes um contraponto que pode ser muito produtivo. A cidade é a experiência imediata de estar em sociedade, uma experiência cuja iminente irrelevância os mais afoitos pregadores das redes digitais quiseram determinar. Segundo eles, a vida na cidade seria cada vez menos necessária, uma vez que não precisaríamos mais conviver com vizinhos desagradáveis. Felizmente, estavam equivocados em sua tentativa de elevar ao extremo o efeito da câmara de eco - em que as pessoas só ouvem opiniões parecidas com as suas.

Hoje a cidade volta ao foco não como oposto do digital, mas como um cenário que ele pode ampliar e multiplicar, e com isso ampliar-se e multiplicar-se a si mesmo. É uma relação claramente complementar. Nos últimos anos foram desenvolvidos milhares de sistemas, ferramentas e aplicativos, além de instalações artísticas, projetos educacionais e outros, que propõem o hibridismo entre as redes e o "mundo lá fora", que possibilita uma infinidade de interfaces em potencial. Em paralelo, veio também a disseminação do discurso das "cidades digitais". Mesmo que se tenha constituído como mais uma expressão da moda para os surfistas de hype, que adotam ideias que soam impactantes sem necessariamente pensar seriamente em suas consequências, é interessante pensar na expansão das possibilidades enredadas para as cidades. 

É possível construir pontes entre as propostas da MetaReciclagem e a ideia de cidades digitais. Desconstruir os equívocos comumente associados às tecnologias digitais é relativamente trivial, coisa que já estamos fazendo há alguns anos. Por exemplo: apesar do suporte digital, grande parte dos usos das novas tecnologias são experiências analógicas - mover um mouse ou tocar na tela, ver uma imagem, escutar música. Chamá-las de digitais só faz deslocar o foco do que é realmente importante: as possibilidade de desintermediação, colaboração e auto-gestão. Outro aspecto que deve ser considerado em relação a essas tecnologias: acesso não é tudo. Para falar a verdade, acesso não é quase nada. Existem tantas camadas que se sobrepõem ao mero acesso que toda a retórica da inclusão precisa ser repensada, ainda mais se colocada em perspectiva. Em levando-se a sério, qualquer iniciativa de inclusão propriamente dita deveria ansiar pela própria irrelevância em alguns anos. Deveria considerar que sua missão terá sido cumprida quando não for mais necessária. Assim, aquelas experiências de cidades digitais que tratam apenas de oferecer acesso à internet, mesmo sem fio, deixam de lado um potencial tremendo. Precisam, antes de mais nada, incorporar a convicção de que as tecnologias são políticas, que constroem e transformam imaginários. Não são meros instrumentos cujos usos estão encerrados em maneiras pré-definidas de uso. Por isso, tais projetos não podem submeter-se à lógica do mercado, que trata as tecnologias somente como oportunidades de expandir e aumentar os lucros dos mercados de "produção cultural". É fundamental que se estimulem a experimentação, a reinvenção e a liberdade de usos.

Mas todos esses argumentos (hoje em dia) são quase óbvios. Eu gostaria de ir um pouco além. Me interessa pensar sobre a própria ideia de cidade. A gente muitas vezes esquece que a ideia contemporânea de cidade não é um absoluto, mas um episódio a mais de um longo processo histórico. Desde os primeiros assentamentos e tribos, passando por aldeias, pela polis grega e cidades-estado, os diferentes impérios do ocidente e oriente, o limite entre caos e civilização do mundo romano e sua decadência, os castelos medievais, os burgos, até a aglomeração que se viu a partir da revolução industrial. Uma transição que fez com que a vida em sociedade perdesse a sensação de familiaridade (uma vez mais, e radicalmente), acompanhada de projetos urbanísticos e de políticas públicas que ajudaram a forjar a ideia moderna de cidade.

A cidade como a conhecemos hoje é o reflexo de um ideal de sociedade - industrializada, capitalista, baseada na democracia representativa e no cristianismo. Nessa forma idealizada, a cidade possui algumas características específicas:

  • induz ao agrupamento por atividade econômica, que traz vantagem competitiva a todos - empresas, fornecedores e clientes;
  • propõe uma distinção clara entre os espaços particulares com privacidade absoluta e os espaços públicos, onde a informação circula;
  • requer estabilidade e homogeneidade, baseada na formação de classes médias;
  • supõe a centralização de poder (delegado pela população às autoridades), o que facilita o controle e a segurança;
  • privilegia a centralização das fontes de informação: igreja, escola, imprensa e comunicação de massa.

É possível questionar as suposições sobre as quais essa cidade está baseada. O futurólogo alemão Chris Heller, por exemplo, discorda da associação comumente feita entre privacidade e liberdade. Segundo ele, ao tratar a privacidade como absoluto, o dissenso fica esmagado - o que gera sociedades mais moralistas e hipócritas. Heller não é o único a sugerir uma redefinição da privacidade.

Especialmente no caso do Brasil, a cidade moderna é uma ideia que foi importada sem muita preocupação com sua adequação às nossas características. Pior ainda, foi distorcida e implementada de maneira equivocada. Se podemos ler a ideia de cidade como uma tecnologia - geralmente desenvolvida de cima para baixo -, podemos também tentar metareciclá-la - desconstruindo suas bases, propondo releituras, apropriações e ressignificações.

MetaReciclando cidades digitais

O ideal de cidade moderna está cada vez mais distante do que se pode ver cotidianamente nos centros urbanos, talvez mais bem descritos como pós-cidades cyberpunk. Um exemplo claro, talvez extremo, é São Paulo. Vemos redes digitais por toda parte, sabotando as hierarquias da informação - para o bem e para o mal. Uma cidade não mais centralizada, mas fragmentada em diversas frentes. Uma economia distribuída, em grande medida informal. Um dinamismo que responde criativamente à instabilidade. Grande contraste e mobilidade sociais. Uma sensação iminente de violência, reforçada pelo alto nível de ilegalidade e impunidade, que refletem uma perda do controle que a cidade como estrutura costumava representar. É importante tentar atualizar nosso referencial sobre o que é uma cidade, para entender como podemos atuar para efetivamente transformá-la.

Um dos primeiros rascunhos de projetos elaborado dentro do Projeto Metá:Fora (o antepassado da MetaReciclagem) foi o Prefeituras Inteligentes, de Daniel Pádua, muito antes de qualquer um de nós ter contato com políticas públicas do mundo real. Propunha basicamente que as cidades fossem vistas como espaços informacionais complexos, e que se desenvolvessem espaços de catalisação do potencial dessa informação a partir de laboratórios ligados em rede com infra-estrutura metareciclada. Ele nunca virou um projeto em si, mas certamente influenciou como a gente desenvolveu coisas nos anos seguintes.

O que é essencial na cidade? Quais são suas estruturas em termos de informação? Ruas, praças, espaços públicos, espaços particulares de uso público, espaços privativos... como a gente pode interferir para criar relações mais colaborativas, participativas e livres? Como vamos raquear a tecnologia cidade?  É possível transpor as ações que promovem a transparência de dados para a cidade?

Mesmo com cada vez mais ruído na relação, a cidade continua sendo atrativa - pelo acesso a infra-estrutura compartilhada (serviços básicos, saneamento, etc.), pela concentração de oportunidades de estudo, trabalho e atividades culturais. Existe também uma certa vertigem que leva à projeção (ou ilusão) de crescimento, enriquecimento, mudança de vida. Mas é fato que cidades menores têm cada vez mais acesso a infra-estrutura, e que cada vez mais oportunidades de trabalho poderão ser realizadas à distância. Qual o efeito disso no fenômeno da concentração urbana? Mesmo nos grandes centros, começam a despontar projetos mais focados nos bairros do que na cidade toda - tentando trazer de volta a familiaridade da vizinhança, o compromisso de pessoas que compartilham condições de vida.

Um movimento interessante nesse sentido é o das transition towns, que propõem soluções para os desafios das mudanças climáticas, a partir da transformação do cotidiano local - em bairros, vilarejos, pequenas cidades. Outro projeto interessante é o espanhol wikiplaza, que propõe entender o espaço público como sistema operacional, e promover ações de circulação de informação dentro dele.

Experimentação

É necessário refletir sobre qual papel as ações na fronteira entre arte, ciência e tecnologia devem assumir nessa metareciclagem da cidade. Um dos aspectos que estamos tentando investigar no projeto RedeLabs é justamente essa conexão entre a experimentação e a cidade. De que forma podemos propor que a exploração das fronteiras abstratas da inovação continuem fazendo sentido e realimentando a vida "real"? É interessante perceber essa mudança acontecendo também nesses circuitos experimentais. A edição de junho de 2010 do projeto Interactivos, no Medialab Prado de Madri, ofereceu reconhecimento ao movimento de "ciência de garagem", que vem emergindo nos últimos anos, mas propôs uma abordagem mais participativa: ciência de bairro. Os resultados foram muito interessantes: projetos que mesclavam conhecimento científico, perspectiva estética e demandas sociais ou ambientais.

Uba

Mesmo em contextos nos quais o urbanismo moderno nunca chegou a se desenvolver plenamente, é útil pensar na metareciclagem da ideia de cidade como ferramenta de construção de imaginário e transformação (talvez pensando em um desurbanismo). Nos últimos tempos, tendo a concordar com John Thackara - podemos fazer muito mais em nossa própria vizinhança do que fora. Nos próximos meses vou começar um projeto aqui em Ubatuba, tentando trazer todas essas questões para um ambiente diferente daqueles em que trabalhei até hoje. Existem vários caminhos a explorar. Um dos primeiros questionamentos que quero fazer é: quem são os donos dos mapas? A ideia é fazer o traçado da cidade no openstreetmap (por diversas razões), e depois partir para um mapeamento cultural e ambiental da cidade, em paralelo com iniciativas de turismo sustentável e ecoturismo, sempre buscando o diálogo com a rede MetaReciclagem. Vamos ver no que dá.

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Mais e mais: esse assunto vai longe, sem muitas conclusões. Abaixo, alguns posts e coleções de links relacionados.

http://efeefe.no-ip.org/tag/urbe
http://efeefe.no-ip.org/tag/desurbe
http://desvio.weblab.tk/blog/labtolab-dia-dia
http://efeefe.no-ip.org/blog/ideia-de-cidade
http://links.metareciclagem.org/tags.php/terraslivres
http://links.metareciclagem.org/tags.php/urbe
http://links.metareciclagem.org/tags.php/desurbe
http://efeefe.no-ip.org/blog/cidadejando

Participei recentemente de um seminário sobre Cidades Digitais, organizado pela Unesp de Araraquara e realizado no SESC daquela cidade. Foi uma boa oportunidade para aprofundar algumas reflexões que já andei esboçando nos últimos tempos. Minha apresentação transformou-se no texto abaixo. A primeira parte não tem muita novidade, mas pode ser interessante pra quem está conhecendo a MetaReciclagem agora. Os slides da apresentação estão disponíveis no scribd.Esse post faz parte da blogagem coletiva de inverno do Mutgamb, inspirado por Pozimi.

5 comentários

A ideia é

Enviado por Ceila Santos (não verificado) em qua, 02/16/2011 - 08:28.
A ideia é fantástica...bastante complexa também. Preciso reler pra ver se realmente caiu minha ficha. Fiquei curiosa para saber o que vcs já fizeram na prática seguindo tais premissas. tive a oportunidade de entrevistar alguns coordenadores de cidades digitais. já existe alguns que pensam além do acesso, mas na prática pouco é feito. conseguia associar algo do que acho que vc tá falando em municipios pequenos e principalmente com turismo pq focava mto em como a tecnologia podia ajudar nas questões de mobilidade (distancias geográficas) e comércio (turismo em cidades históricas). Mas nunca pensei de forma ampla como propõe nem conseguia imaginar possibilidades para megalopes como são paulo. obrigada pela dica...volto um dia pra ver se o mosquitinho pica de vez (risos!!!) e, enfim, entendo algo do que pensa. Parabéns!

Oi, Ceila. Tentar desenvolver

Enviado por efeefe em qua, 02/16/2011 - 16:24.

Oi, Ceila. Tentar desenvolver coisas que vão além do acesso tem sido uma busca constante na rede MetaReciclagem nos últimos oito anos. Essa perspectiva da cidade como sistema operacional foi articulada mais recentemente, mas é coerente com muitas coisas que a gente fez em termos de interferências, ocupação de espaço público, tentativa de criação de espaços abertos de conversação, etc. Tem bastante gente pensando a questão urbana de uma maneira mais ampla. O digital não deveria ser uma categoria separada, mas sim ser incorporado como solução prática para problemas em todas as áreas. 

Aqui uns links que podem ter a ver.

É o que eu chamo de

Enviado por dasilvaorg (não verificado) em ter, 08/31/2010 - 13:01.
É o que eu chamo de construindo o local. Senti isto muito forte recentemente devido a uma quase uma premonição de que deixaria de viver em Cabedelo. Mas é uma coisa que já venho percebendo desde que comecei a me aprofundar nesse lance de ciberinterações, em grande parte por com as redes metareciclagem. Comecei a entender que uma valorização da relação "local", do viver "local" é importante como contraponto a todas as possibilidades do "global" que não podem se materializar. É uma questão de se manter são pela compreensão das inúmeras possibilidades de ação e vivência que estão ali do seu lado e que você abandona pelo imaginário "global" que o ciberespaço te dá. Então tem aí, eu acho, uma responsabilidade em colocar no ciberespaço isso como uma força. O que o teu vizinho pensa sobre tecnologia? Quando vocês conversaram sobre isso? Há iniciativas no teu bairro, na tua cidade que estão afinadas com algumas das coisas que você tangencia? Como são essas experiências? Então vamos construindo e dando sentido ao local e olhando para os problemas e realidades ao nosso redor, devagarinho. Mas não se trata de alimentar o ciberespaço com o "local" e nem o local com o "ciberespaço". Não é dualidade e nem apenas uso, e não cabe também procurar pelo que é. Saímos desse conceito de essências para as performatividades, o que podemos fazer com as práticas?

Interessante a sua observação

Enviado por Felipe Albertão (não verificado) em ter, 08/31/2010 - 02:29.
Interessante a sua observação sobre "acesso não é tudo", pois acredito que ela vale para cidades digitais também. Afinal, o problema não é acesso a informação em si (trânsito, qualidade de ar, água, etc...), mas sim a integração dos diferentes sistemas. Existem toneladas de informação pública disponíveis em qualquer cidade. O problema é como integrar (ou mesmo digitalizar) as diferentes fontes, e então extrair informações úteis delas.

gostei. alguns pontos que me

Enviado por dalton martins (não verificado) em seg, 08/30/2010 - 15:49.
gostei. alguns pontos que me chamam a atenção nessa conversa sobre cidades: a estrutura delas, em termos de fluxos de pessoas, cria algo como as redes de livre escala. Há conexões preferenciais e que acabam formando hubs de serviços, informação e distribuição de recursos. isso, já de fato não é novidade alguma. o ponto que acho interessante refletir é que apenas poucas conexões são necessárias para tirar do isolamento vários clusters que possuem pouco acesso a isso. a lógica da distribuição de recursos é calculada por visões lineares, que levam em conta densidade populacional. a rede se organiza de outra forma, onde a densidade não significa conexão. e daí? isso pode virar um tipo de mapeamento (geo e info) que inverta a lógica de número de atendimentos para se pensar política pública, pq tá na relação a apropriação dos espaços.

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